Skip Navigation

News

  • Print
  • Comment

A ciência na passarela do samba

Luisa Massarani

| EN

A costume representing nuclear energy

Fantasia representando A costume representing a energia nuclear

Casa da Ciência/UFRJ

[RIO DE JANEIRO] O desfile de carnaval carioca vai colocar a ciência na passarela do samba neste fevereiro, graças a uma colaboração entre a Unidos da Tijuca e a Casa da Ciência, um centro cultural de ciência e tecnologia do Rio de Janeiro.

O desfile vai mostrar algumas das principais descobertas científicas da história da humanidade que já foram consideradas sonhos impossíveis. A idéia é colocar em destaque a capacidade criativa humana de superar desafios científicos e tecnológicos, ultrapassando limites do corpo, da gravidade, da distância, do tempo, entre outros.

"É fundamental aproximar o mundo da academia do mundo popular e da cultura", diz Fátima Brito, coordenadora da Casa da Ciência, ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro. "O desfile na Marques de Sapucaí é assistido por cerca de 105.000 pessoas e transmitido pela TV e Internet para 243 países, ampliando a audiência para um bilhão de pessoas", afirma.

O desfile da Unidos da Tijuca, que contou com a criatividade do carnavalesco Paulo Barros, inicia a bordo de uma máquina do tempo, convidando o público para participar de uma viagem pelo passado, presente e futuro, em que elementos como aviões, foguetes e submarinos estão presentes. Uma parte especial é dedicada a Santos Dumont.


Fantasia representando Dolly, a ovelha clonada

Os primeiros experimentos de energia elétrica e tentativas de criar vida – que inspiraram a história de Frankenstein – também são representados pela escola de samba. Genética e clonagem humana ganham destaque na passarela.

Muitos cientistas e comunicadores da ciência elogiaram a iniciativa. "A arte popular é uma ferramenta fundamental e muito atraente de popularização da ciência, por isso, considero muito importantes os esforços da Casa da Ciência no carnaval", diz José Ribamar Ferreira, presidente da Associação Brasileira de Museus e Centros de Ciência.

"Por meio dessa iniciativa, podemos atingir muitas pessoas que jamais se interessaram por ciência antes", defende Ferreira. "Os museus e centros de ciência e revistas de divulgação científica, por exemplo, apesar de sua grande importância, em geral atingem apenas aqueles que já têm interesse por temas da ciência", afirma.

Para Constantino Tsallis, pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e membro da Academia Brasileira de Ciências, a iniciativa é "magnífica". "Parece-me fundamental que um grande número de pessoas perceba que ciência e arte são parte indissociável da vida quotidiana e da condição humana", diz.

Ennio Candotti, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, também considera positiva a iniciativa, tanto para a ciência como para os carnavalescos. "A ciência pode oferecer novos temas, nunca antes imaginados pelos carnavalescos e pelos foliões, enriquecendo o universo de idéias, fatos e imagens levados para a passarela", diz.

Já Marcelo Leite, editor de ciência do jornal Folha de São Paulo, afirma: "Acho em princípio positivo que temas de ciência apareçam nos mais diversos tipos de manifestação cultural, mas sou um pouco cético quanto à possibilidade de que conteúdo confiável seja veiculado dessa maneira". Para ele, o risco da reprodução de estereótipos é muito grande. Mas acrescenta: "Experiências pioneiras, no entanto, servem exatamente para isso: testar novas possibilidades."

Add Your Comment

This is your network: share your views on any of our articles by adding your comments

comments-require-login signin or signup.

comments-approval

copyright creative commons.

Back to News
To the top